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Edson Barboza – Encontrando Um Novo Destino

17 de Novembro de 2010

Nascido e criado em Nova Friburgo, cidade serrana do Rio de Janeiro, o novato do UFC Edson Barboza - que encara Mike Lullo na preliminar do UFC 123 neste final de semana - era um jovem que impunha medo quando seu foco eram as competições de Muay Thai.    
    
O peso leve, com seus ferozes punhos e chutes, sempre figurou entre os cinco melhor brasileiros quando se tratava de luta em pé. E o seu poder e precisão quase sempre garantiam uma derrota por nocaute para seus oponentes, além de garantias ao fãs e à imprensa que Edson nunca não daria um passo para trás.   
    
Um típico lutador de Muay Thai - alto, rápido e letal, - Edson começou cedo, sendo apresentado ao esporte quando tinha apenas oito anos. E o que começou como apenas uma forma de acalmar um garoto agitado se tornou uma carreira.    
        
"Eu comecei muito jovem no Muay Thai, na quadra de uma escola de samba", conta ele sobre seu começo. "Meu pai não tinha condições de me colocar em uma arte marcial paga, então eu fui para um projeto social que ensinava o esporte. E a minha paixão começou desde esse primeiro contato".  
    
Do primeiro toque de luvas nos treinos até a sua primeira luta, o jovem Edson não esperou muito tempo. No mesmo ano em que começou a aprender Muay Thai, ele testou uma característica sua que acabaria lhe rendendo status, respeito e títulos - sua vontade.    
    
"Eu derrotei meu oponente quando ele não voltou para o segundo round. Esse foi meu primeiro nocaute técnico (risos). O moleque não parava de chorar e eu venci. Ainda tenho essa fita gravada".    
    
Orgulho da sua família e amigos hoje em dia, é estranho que uma mãe pudesse deixar seu amado filho treinar em um esporte de contato intenso. Mas não entenda mal. A mãe de Barboza realmente não gostava no começo e ainda não gosta totalmente, visto que ela não assiste suas lutas como profissional, mas com o apoio do seu pai, que o colocou naquele projeto social em 1994, Edson se tornou um astro do Muay Thai e membro do Tem Anderson Franca.     
    
"Eu conquistei o Campeonato Brasileiro, o Circuito Brasileiro e Demoliton Grand Prix," conta ele, listando seus títulos importantes. Mas o seu crescimento veio mesmo em uma de suas únicas três derrotas. "Nós tivemos um Grand Prix chamado La Gara, com quatro lutas para se tornar o campeão. Eu perdi a última (para Tadeu San Martino), mas eu estava lutando em uma divisão cima da minha (76kg). Nocauteei três caras e a competição foi muito importante para mostrar minha disposição em superar adversidades".   
        
O Demolition GP, realizado em 2007, foi um sólido capítulo na vida do atleta da região serrana do Rio. Ele nocauteou seus dois primeiros oponentes, sendo um deles o participante do K-1 World MAX Marfio Canolleti, e vingou sua derrota na final para San Martino. Com seu foco voltado 100% para uma direção - o K-1 World MAX no Japão - Edson estava perto de viver disso, um sonho que não saiu da sua cabeça nem depois do pagamento insignificante que recebeu depois da sua primeira luta como profissional.    
    
Mas ele não contava com o poder do silêncio.        
        
"Meu empresário tentou entrar em contato e negociar com o Japão várias vezes, mas não recebeu nenhum retorno positivo. Depois de um ano sem nada acontecer, nós resolvemos optar pelo caminho da MMA - as portas estavam abertas para esse lado e eu poderia desenvolver melhor a minha carreira".  
    
A mudança foi extrema. Considerando que Barboza era um lutador de Muay Thai com nenhuma experiência no MMA e com o nível que o esporte alcançou, ele precisaria de tempo para se adaptar, tempo que poderia lhe custar oportunidades e, muito pior, vitórias. No entanto, ele teve algumas surpresas depois dessa troca, já que estava treinando com lutadores de Jiu-Jitsu e tinha um empresário, Alex J Davis, que era faixa preta em JJ e Judô.    
        
"Eu poli o Muay Thai do Flavio Serafim e ele me ensinava JJ por diversão." Diz o faixa azul de JJ. "Então a minha entrada no MMA foi fácil porque já treinava JJ há muito tempo. Depois de mudar para os EUA, melhorei com caras de alto nível como Eduardo Guedes, Rafael Chaves, Pablo Popovich, Wagner Ceará, Rodrigo Cavaca, Marcos Buchecha e Thiago Abreu - o Team Armony - junto de Joe Mullings. Todos ajudaram a me tornar um atleta competitivo de MMA".    
    
A mudança para Jupiter, Flórida, em 2008, foi o começo de tudo, quando Edson iniciou seu caminho no MMA. Foi um início complicado, já que ele sentia falta da sua mulher, amigos e família, mas ele foi apoiado pelo seu novo time, que não apenas o preparou para as suas lutas, mas deu ao brasileiro o ambiente perfeito para repetir no MMA o que já havia feito no Muay Thai. E ter sua mulher Bruna morando com ele alguns meses após sua chegada o manteve tranquilo o suficiente para derrotar oponentes e garantir um recorde de 6-0 e dois cinturões.      
    
"Eu nunca estive sob pressão. Eu entrei e fiz meu trabalho. A rotina era treinar, treinar e treinar mais um pouco".  
    
O lutador agora chega ao octógono usando o mesmo estilo agressivo que fez seu nome no Muay Thai e lhe garantiu um cartel invicto no MMA. A vantagem na envergadura que terá contra Lullo também é uma arma, mas ele discorda de que seja a principal.    
    
"Meu alcance é muito bom comparado ao da maioria dos pesos leves e isso me ajuda na trocação, mas eu não vejo como uma larga vantagem, pois os caras estão se adaptando e encarando as adversidades".   
    
Confiando no seu treinamento ao invés de estudar seu adversário, Edson deixa uma mensagem final para os fãs do UFC.    
    
"Eu peço aos fãs que cheguem antes do evento principal, pois eles terão a oportunidade de ver um cara determinado a dar o melhor. E não importa se é uma luta preliminar ou não. UFC é sempre incrível, então, quem estiver lá verá um grande show".