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Dhiego Lima reencontrou a alegria de lutar

16 de Maio de 2017

Para um ex-lutador do UFC, o caminho de volta ao evento é relativamente simples. No papel. Na realidade, é tão duro quanto competir no octógono, já que cada luta no circuito local tem a importância de uma disputa de título, e vencer não é apenas a consequência de uma dura preparação e de estar melhor naquela noite, mas uma necessidade.

Finalista do TUF 19, Dhiego Lima estava perto de voltar após ser demitido da organização em 2015, tendo vencido Antonio Trocoli e o também ex-UFC David Michaud. Sua terceira luta seria contra o prospecto do TUF 21, Jason Jackson, em dezembro do ano passado.

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Dhiego foi parado no primeiro round por Jackson, perdendo seu título dos meio-médios no Titan FC. Isso obrigou o brasileiro a ponderar: deveria ele recomeçar o processo ou simplesmente seguir em frente?

“Principalmente depois desta derrota, na minha cabeça, eu estava ‘Cara, será que vale a pena?’”, lembra Dhiego, “Preciso vencer três ou quatro lutas, sem ganhar dinheiro, porque nessas organizações menores não se paga muito bem, e é um risco, porque você nem sabe se vai mesmo vencer. Treinamos duro demais, mas é uma luta, nunca se sabe o que vai acontecer. Então isso passava pela minha cabeça”.

Aos 28 anos, Dhiego era jovem demais e talentoso demais para deixar o esporte, mas, com uma academia de sucesso no estado da Georgia, nos Estados Unidos, e uma mulher e crianças em casa, recomeçar não era uma proposta muito interessante.

Então o telefone tocou com uma oportunidade de competir no TUF 25. E o sangue voltou a correr em suas veias.

“De cara, eu pensei, ‘Estou de volta’”, conta o brasileiro, “Eu vinha de derrota e estava em uma posição complicada. Eu pensava, ‘Deus, o que eu faço agora?’. Pensei se valia a pena. Mas assim que recebi a ligação, a única hesitação foi pensando na minha família. Na minha cabeça, eu estava de volta”.

E enquanto a maioria do elenco do TUF 25 vê essa como a última chance de voltar ao plantel do UFC, Dhiego está tranquilo com a pressão, porque sente que é um lutador diferente daquele que venceu uma de suas quatro lutas na primeira passagem pelo octógono.

“Foi como uma ‘última chance’ para mim”, disse, “Ainda sou jovem, tenho apenas 28 anos, mas sei o quão bom eu sou. Sei o quão duro eu treino, e todos os que treinam comigo dizem que posso ser campeão no UFC. Treino com caras de alto nível, meu irmão (Douglas) é campeão (do Bellator) e vou bem contra ele, mas quando chega na hora da luta, em todas as derrotas, perdi para mim mesmo. Não sei se foi a experiência ou outra coisa, mas não consegui desempenhar. Desta vez, disse que se eu não conseguir desempenhar o que eu faço nos treinos, então eu não preciso mais lutar”.

Após perder para Eddie Gordon na final do TUF 19 pelos médios em 2014, Dhiego voltou ao peso meio-médio e venceu Jorge de Oliveira antes de sofrer derrotas consecutivas para Tim Means e Li Jingliang em 2015. Means e Li não são adversários fracos, mas o brasileiro acredita que é melhor do que o que mostrou em sua primeira passagem pelo UFC.

“Eu não estava enfrentando caras fracos, mas são lutas que sei que poderia vencer”, disse, “São caras que posso derrotar. Mas eu não estava pronto. Estava deixando os nervos me afetarem, estava deixando a pressão de estar no UFC me afetar, e estava treinando tão duro que, quando chegava a semana da luta, eu já não estava mais me divertindo. Eu estava cansado e queria que acabasse logo. Havia muita pressão”.

Agora, todo dia é um novo dia para ele no que diz respeito a lutar, e isso o levou a um novo patamar em sua promissora carreira. Você pode perceber em sua voz, e seus oponentes verão isso na noite da luta.

“Tive altos e baixos, ganhei dinheiro nesse esporte, perdi dinheiro nesse esporte, ganhei grandes lutas, perdi grandes lutas e, agora, estou me divertindo novamente”, disse Dhiego, “Eu havia perdido a diversão e havia muita pressão. Minha academia vai bem, não me preocupo com dinheiro, e luto porque amo. Reencontrei a paixão por lutar e esta é a única maneira de você conseguir dar seu máximo. Se eu perder agora, é porque alguém foi melhor do que eu. Mas será difícil me vencer, e estou empolgado para provar isso”.