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Mark Hunt - um homem do povo

30 de Novembro de 2018

A primeira aparição de Mark Hunt no Octógono durou 63 segundos. 

A derrota para Sean McCorkle na luta de abertura do UFC 119 foi a última de uma série de seis reveses do peso-pesado, que baixaram seu cartel para 5-7 no geral.

Enquanto os primeiros seis desses contratempos aconteceram contra grandes estrelas e nomes consagrados, como Josh Barnett, Fedor Emelianenko e Alistair Overeem, oferecer pouca resistência contra um invicto lutador de Indianápolis parecia justificar a inclinação inicial do UFC de comprar as lutas restantes no contrato de Hunt e permitir que ele trabalhasse em outro lugar.

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Mas uma coisa engraçada aconteceu no caminho para o agora veterano de esportes de combate de 44 anos - ele começou a ganhar e desenvolveu praticamente um culto entre os fãs hardcore do esporte.

Hunt recuperou-se da derrota para McCorkle com três vitórias seguidas, começando com um nocaute sobre Chris Tuchsherer, seguido de um triunfo por decisão unânime sobre o veterano Ben Rothwell, e outro nocaute certeiro sobre Cheick Kongo um ano depois. Quando Alistair Overeem foi forçado a sair da disputa de título contra Junior Cigano no UFC 146, os fãs começaram uma campanha “#RallyForHunt” nas redes sociais, fazendo lobby para que o “Super Samoan” tivesse a chance de lutar pelo cinturão dos pesos-pesados.

A disputa pelo título não se concretizou na época, mas ele compartilharia o Octógono com o brasileiro um ano depois, no retorno de Cigano após perder o cinturão para Cain Velasquez. E acabou sendo uma das maiores lutas da história da categoria - uma batalha de ida e volta entre duas potências que terminou da maneira menos típica dos pesados possível, com Cigano desferindo um chute giratório no último minuto do terceiro round e vencendo.

Se aquela batalha com Cigano deixou claro que Hunt era um candidato legítimo, sua próxima luta contra Antonio "Pezão" Silva em Brisbane, Austrália, cimentou sua posição como um dos lutadores mais queridos e imperdíveis do plantel, com a dupla lutando de igual para igual, golpe a golpe, round por round ao longo de 25 minutos em um confronto épico no final de 2013.

Hunt teria a chance de lutar pelo ouro do UFC um ano depois, substituindo Cain Velasquez de última hora contra Fabricio Werdum em um confronto pelo título interino, no qual ele caiu para o brasileiro no segundo round.

Ele teve resultados mistos desde então - e durante as 17 lutas no UFC -, mas a verdade é que há muito tempo Hunt se tornou um daqueles poucos lutadores que serão adorados e seguidos, independentemente se ele ganhar ou perder.

A eletricidade é palpável toda vez que ele sobe ao cage porque todo mundo sabe que ele precisa apenas de um soco certeiro para garantir a vitória, e apesar de seu queixo de granito ter começado a mostrar algumas rachaduras nos últimos anos, a antecipação de Hunt ter mais um daqueles nocautes em que sai andando antes do árbitro interromper faz com que as pessoas ainda fiquem na borda da poltrona quando ele entra no Octógono.

Ele é um homem do povo - um peso-pesado pequeno que se parece mais com um cara durão do que um atleta profissional de elite, e alguém que alcançou alturas incríveis em sua carreira no MMA depois de o UFC parecer certo ao querer comprar seu contrato.

Hunt também é pioneiro - um desbravador da atual onda de talentos australianos e neo-zelandeses que escalam posições no UFC hoje, incluindo Tyson Pedro e Tai Tuivasa, junto de quem ele lutará neste final de semana em Adelaide quando fizer sua 18ª incursão no Octógono para enfrentar Justin Willis.

Promessa invicta do peso-pesado que vai liderar o UFC Adelaide no sábado, Tuivasa não é apenas o protegido de Hunt, mas o legítimo herdeiro de seu trono - um garoto de West Sydney que é incrivelmente resistente, com trovão nas mãos e muito mais atlético do que a maioria esperaria. Perfeito nas primeiras 10 lutas de sua carreira, incluindo três vitórias consecutivas no UFC, ele terá a chance de se definir como desafiante neste final de semana se vencer Cigano.

Pedro também terá um encontro com um ex-campeão neste fim de semana, entrando no Octógono com Mauricio “Shogun” Rua antes da luta de Hunt com Willis. Enquanto Tuivasa tem mais semelhanças físicas com o respeitado nocauteador, o início de Pedro no UFC tem sido mais parecido com as experiências de Hunt, já que o lutador bruto, mas talentoso, tem um cartel 3-2 na organização, com 7-2 no geral.

Nenhum deles estaria onde estão sem que Hunt primeiro mostrasse que era possível para um lutador da região competir no mais alto nível e depois compartilhar as lições aprendidas dentro e fora do cage com os competidores da próxima geração.

De certa forma, é apropriado que Hunt seja parte do primeiro evento a ser transmitido ao vivo na TV da Austrália, porque enquanto a ascensão de Robert Whittaker ao topo da divisão dos médios e o surgimento de Pedro, Tuivasa, Israel Adesanya, Dan Hooker e Alexander Volkanovski trouxeram mais atenção ao esporte, ele foi uma das figuras que inspirou muitos dos atuais competidores da Austrália e Nova Zelândia a perseguir seus sonhos nos esportes de combate.

E assim como o MMA está pronto para ter um momento real em sua terra natal, Hunt merece ser celebrado.

Os últimos oito anos têm sido um passeio improvável e emocionante, que fez com que Hunt passasse de um indesejável castigo para um contender perene enquanto construía um legado como um dos lutadores mais populares e divertidos que já passaram pelo Octógono.

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